Pedimos chá de coca e torradas num pequeno café vazio de gente e televisão ligada num estridente programa local. Como as outras casas de Tilcara, situada junto ao povoado indígena do Pucará de Tilcara, reconstruído para ser um museu a céu aberto, também aqui o edifício é térreo e as paredes são de adobe. O chá chega num ápice. Para o pão, a mulher ausenta-se a comprá-lo nas cercanias.
Apesar do boom turístico que a declaração da Quebrada de Humahuaca como Património Mundial da Humanidade em 2003 trouxe à região, a maioria das gentes daqui continua a viver na pobreza. E o pão para as torradas compra-se, assim parece, quando a necessidade o exige.
Há quem até assine petições a pedir que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) retire a denominação que apenas serve a uns quantos e não tem evitado que até as igrejas de Purmamarca e Tilcara sejam roubadas de alguns dos seus bens patrimoniais.
No Noroeste da Argentina, a 1.400 quilómetros de Buenos Aires, a Quebrada de Humahuaca é outro mundo argentino, aquele que liga o país com o seu passado indígena. E aquele onde se sente a maior predominância de pobres e desfavorecidos, numa província, Jujuy, de débeis indicadores sociais.
Conversa de séculos; habituados nesta zona a contar com pouco e a viver com menos, os indígenas mantêm à mão as folhas de coca que dão alento perante o ar rarefeito e cortam os desejos do estômago. E esperam que os turistas lhes tragam a riqueza que aqui se resume ao ar puro, à paisagem agreste e à explosão de cores dos cerros – parece impossível ter na terra tamanha concentração cromática num só lugar! (foto António Rodrigues)
Apesar do boom turístico que a declaração da Quebrada de Humahuaca como Património Mundial da Humanidade em 2003 trouxe à região, a maioria das gentes daqui continua a viver na pobreza. E o pão para as torradas compra-se, assim parece, quando a necessidade o exige.
Há quem até assine petições a pedir que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) retire a denominação que apenas serve a uns quantos e não tem evitado que até as igrejas de Purmamarca e Tilcara sejam roubadas de alguns dos seus bens patrimoniais.
No Noroeste da Argentina, a 1.400 quilómetros de Buenos Aires, a Quebrada de Humahuaca é outro mundo argentino, aquele que liga o país com o seu passado indígena. E aquele onde se sente a maior predominância de pobres e desfavorecidos, numa província, Jujuy, de débeis indicadores sociais.
Conversa de séculos; habituados nesta zona a contar com pouco e a viver com menos, os indígenas mantêm à mão as folhas de coca que dão alento perante o ar rarefeito e cortam os desejos do estômago. E esperam que os turistas lhes tragam a riqueza que aqui se resume ao ar puro, à paisagem agreste e à explosão de cores dos cerros – parece impossível ter na terra tamanha concentração cromática num só lugar! (foto António Rodrigues)
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